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O Futuro das Criptomoedas se Parece com a Amazônia: Tribos, Soberania e Sobrevivência

Desenho a nanquim de um Pajé, o homem de sabedoria da tribo, com cocar de penas e olhos fechados
O Pajé, o homem de sabedoria da sua tribo. O Satoshi do seu povo.
Arte original a nanquim de Michelle Mafra.

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Quanto mais tempo passo no mundo cripto, mais ele me lembra algo muito mais antigo que a internet: a governança tribal. O universo das criptomoedas não é uma única nação com um único governante. É uma floresta cheia de tribos, cada uma com sua própria língua, suas regras, seus líderes e suas crenças. E, como em toda floresta, nem toda tribo vai sobreviver.

Sou brasileira e visito a Bahia todos os anos. Também tive o privilégio de ter contato com o povo Yanomami. Essas experiências me ensinaram que as tribos não estão congeladas no passado. São comunidades vivas e soberanas, que fazem escolhas sobre o seu futuro todos os dias, exatamente o que estamos tentando construir no mundo cripto.

Três pilares de uma tribo viva

Os projetos que vão durar serão os mais parecidos com sociedades tribais fortes, construídas sobre três pilares:

  1. Soberania: o projeto controla o seu próprio território, o seu código, o seu tesouro e o seu futuro.
  2. Autogoverno: as decisões nascem de dentro, por meio das suas próprias regras e dos seus próprios conselhos.
  3. Controle da comunidade: as pessoas que vivem no ecossistema têm voz de verdade sobre o rumo que ele toma.

Os projetos construídos sobre esses pilares, os verdadeiramente descentralizados, são os que continuam vivos hoje. São também os mais capazes de "explodir" neste ecossistema em desenvolvimento. Os projetos sem controle da comunidade vão sobreviver de outro jeito: como ferramentas, usadas por muitas outras tribos, mas nunca realmente governadas pelo seu próprio povo.

Maxis serão sempre maxis

Toda floresta tem tribos que escolhem viver à parte. Os maximalistas do Bitcoin podem escolher nunca se misturar com outras tribos, protegendo o seu território e as suas tradições. Esse é um direito deles, e existe força nisso.

Outras pessoas vão entrar e sair do ecossistema Bitcoin livremente, mergulhando em novos tokens pela usabilidade, negociando, construindo e trazendo de volta o que aprenderam.

Lições da Amazônia

A Amazônia nos mostra todos os caminhos:

A sobrevivência do mais apto, e dos que evoluem

No fim, tudo se resume à sobrevivência do mais apto. E os mais aptos não são os mais fortes nem os mais barulhentos. São as tribos capazes de evoluir junto com a tecnologia ao longo do tempo, sem perder a sua alma.

A pergunta para todo projeto e todo holder é: que tribo você está construindo, e ela ainda estará de pé quando a floresta mudar? 🌿

Minhas opiniões são pessoais e não são recomendação de investimento.

Fontes: Cacique Almir e a tribo Suruí (Google) · Google helps protect Amazon rainforest (Mongabay)